Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

Saturada

Estou saturada, desiludida com a vida e comigo mesma. Nada é como um dia eu imaginei. Não tenho nada, não construi nada e não deixei até hoje qualquer marca da minha passagem por este mundo. Não escrevi nenhum livro, as árvores que plantei acabaram por morrer, e não tive o filho que tanto desejei. Às vezes gostaria de encontrar um motivo para ter vindo ao mundo.

Hoje, com trinta anos, a minha vida é um autêntico vazio. Não tenho nada à minha volta que me desperte a vontade de ir em frente, que me faça acreditar. Perdi a esperança que alguém me arrancou sem dó nem piedade. Neste momento sinto que já não vale a pena lutar, que nunca terei o lar, os filhos, a estabilidade e a tranquilidade que tanto desejei e as lágrimas brotam dos olhos sem eu as conseguir conter. Odeio-me por isso. Sempre que penso que estou a conseguir dar a volta à tristeza que se instalou dentro do meu coração, há sempre dias em que tudo desaba.

Quem me dera voltar atrás no tempo e dizer "Sim" as vezes que disse "não" e dizer "Não" as vezes que disse "Sim". Acho que tomei sempre a opção errada. Havia sempre dois caminhos, duas opções e eu teimei sempre em seguir o caminho que não me leva a lado nenhum.

Quero voltar atrás no tempo.

Quero voltar a ser adolescente e a acreditar no amor, na felicidade, na fidelidade, na lealdade, na vida.

Quero... quero muito... mas há muito que deixei de acreditar...

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Clauclau às 23:57

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2 comentários:
De Lua de Sol a 25 de Fevereiro de 2008 às 15:10
Olá...
Acho que muitas de nós já sentiram isso... Umas aos 20, outras aos 30, outras aos 40...
Eu já senti o que disseste. Hoje, aos 32 digo: fiz 3 filhos, tenho um bom casamento, não plantei uma árvore, ainda não escrevi os livros que quero, tenho algumas mágoas, alguns vazios... Ainda não acho que tenha encontrado o meu lugar na vida. Encontrei os meus filhos, os do meu coração...Um bom homem... Mas, para trás ficaram um grande amor, muitos sonhos, um mundo ainda mais perfeito. É engraçado que costumo dizer que não passei pela idade do armário - não tive quaisquer sensações especiais na adolescência - mas passei definitivamente pela transição da adolescência para a idade adulta. Acho que ainda estou nessa fase. Em que abrimos os olhos e até pequenas coisas que nos pareciam básicas ou fáceis teimam em não estar ao nosso alcance. Em que por melhor aluna que sejas, mais talento que tenhas, te apercebes que a cunha do vizinho é mais importante...
Resumindo, já fiz algumas coisas, mas pensei que faria muito mais e que tudo era mais simples. A vida é assim. E é quando menos esperas que as coisas boas acontecem.
Ainda tens tempo, não percas a esperança. Mas tens que continuar a acreditar!

Beijinho grande
De Clauclau a 25 de Fevereiro de 2008 às 19:03
Obrigada Lua de Sol pelas palavras amigas. Estou a passar um "mau bocado" e palavras destas muitas vezes valem mais do que se pensa.

Um beijinho

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