Sexta-feira, 2 de Março de 2007

Ler é viver e recordar

Livros... livros e mais livros. Estes têm sido uma constante na minha vida. Reconheço que faço parte de uma minoria, mas não me importo muito com isso. Passei a minha juventude a ouvir comentários dos meus vizinhos, que já com uma certa idade, diziam que andava sempre com os livros atrás e que ainda ia ficar maluca de tanto ler. As condições económicas não me permitiam comprar livros atrás de livros, porque infelizmente o preço fazia com que estes fossem considerados como um luxo. Embora compre um ou outro, a maior parte dos livros que leio são da Biblioteca Municipal, que quando a comecei a frequentar funcionava no r/ chão da Câmara Municipal e nenhuma semelhança tinha com a actual Biblioteca a não ser os livros. Todas as semanas passo por lá para entregar os três livros que tenho comigo e para trazer novos. Quase que posso dizer que muitos dos livros que vejo naquelas prateleiras já foram por mim lidos e folheados. Não quero com isto dizer que leia linha a linha, palavra a palavra. Como todo o leitor, concedo-me alguns direitos, tais como abandonar a leitura de um livro quando o mesmo nas primeiras vinte páginas não se revela interessante, o direito de saltar descrições, o direito de saltar páginas, o direito de ler quando quero, onde quero, e quando me apetece.

Todos os leitores têm os seus direitos, e Daniel Pennac enumera-os no seu livro Como um Romance:

 

 

1) O direito de não ler.
2) O direito de saltar páginas.
3) O direito de não acabar um livro.
4) O direito de reler.
5) O direito de ler não importa quê.
6) O direito de amar os "heróis" dos romances.
7) O direito de ler não importa onde.
8) O direito de saltar de livro em livro.
9) O direito de ler em voz alta.
10) O direito de não falar do que se leu.

 

 

 

Sempre gostei de ler. Ainda me recordo das minhas primeiras leituras. A minha casa era junto à casa da minha avó materna. Depois da morte do meu avô, para que não ficasse tão sozinha, passei a dormir em casa dela. Como ela não sabia ler, pedia que eu lesse para ela. Na altura andava na escola primária e os únicos livros que me tinham passado pelas mãos eram os manuais escolares, uma vez que em casa dos meus pais não existiam livros. Todos os dias lia alguns textos à minha avó, e sentia um orgulho imenso quando no outro dia ela contava à minha mãe e aos vizinhos as histórias que lhe tinha lido e quando, passado algum tempo, ela se recordava das histórias (textos) que já tinha lido... como é que ela se lembrava e dizia-me: "lê-me outra vez a da tartaruga. Gosto dessa.". Partiu quando eu tinha 15 anos, desde então deixei de ter ouvintes para as minhas leituras, e a partir daí passei a ler só com os olhos, só para mim, mas não perdi o gosto. É engraçado! Passaram quinze anos e ainda me consigo ver, em cima da cama, meio deitada, encostada à parede e à almofada, com o livro na mão, a ler para a minha avó, deitada ao meu lado.

O meu avô materno morreu muito mais cedo, tinha eu apenas 8 anos, e as recordações que guardo dele (nessa altura ainda eu não sabia ler) é que ele gostava de me contar histórias. Ainda me recordo de num final do dia em que estávamos sentados (debaixo da macieira que havia junto à casa, e que hoje já não existe, mas que ainda consigo ver nas minhas memórias) num banco feito com uma simples tábua de pinho, apoiada em dois tijolos,  ele me explicar porque é que a lua se assemelhava à cara de um Homem. A verdade é que nunca li qualquer história relacionada com a lua, mas ele costumava falar de um homem que trabalhava aos domingos e que cortava a erva com um foce e que nosso senhor como forma de o punir pelo trabalho aos domingos o tinha colocado no céu para que todos o pudesse ver, e que quando o vissem tivessem consciência do pecado que tinha cometido. E que esta seria a explicação para que quando se olhava para a lua, se conseguia ver nela a figura do pecador e a foce. Se assim era ou não, não sei, mas a verdade é que tudo isto são memórias que guardo no coração com uma grande ternura.  



Clauclau às 18:28

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11 comentários:
De in love again a 24 de Abril de 2007 às 14:54
Eu também gosto muito de ler, principalmente os livros do Nicholas Sparks...
Adoro olhar para o meu movel e ver aqueles livros todos por mim lidos... Normalmente compro os livros, pois a biblioteca fica bastante longe de minha casa...
Não gosto de ler em voz alta, pois fico tão nervosa que me engasgo nem sei quantas vezes lol...
De Clauclau a 24 de Abril de 2007 às 16:36
Nicholas Sparks também é o meu preferido. Já li tudo o que escreveu...

mentira...

Vi há poucos dias no site da Fnac que há um novo que ainda não li: JUNTO AO LUAR. Deve ter sido o último a ser editado em Portugal. Já o leste?

De in love again a 24 de Abril de 2007 às 17:22
Esse ainda não li, mas já estive com ele nao mão ... Estou a ler os livros +/- pela ordem que foram editados em Portugal, neste momento estou a ler " Uma viagem espiritual"... Já leste?
De Clauclau a 24 de Abril de 2007 às 18:01
Já li. O último que li dele foi À PRIMEIRA VISTA que deve ter sido o último a ser editado antes deste JUNTOS AO LUAR. E como este só vai chegar à biblioteca daqui a uns bons meses, acho que vou ter de investir uns "trocados" nele, tal como fiz com QUEM AMA ACREDITA e À PRIMEIRA VISTA pois a ansiedade era muita e não dava para esperar. Normalmente os romances de Nicholas Sparks, ao contrário dos outros que vou buscar emprestados à biblioteca, acabo sempre por comprar, uns em versão portuguesa, outros em versão francesa, como CORAÇÕES EM SILÊNCIO, (vi no teu blog que tinhas lido este) e que tenho em versão francesa: LES RESCAPÉS DU COEUR, que comprei em Paris no Verão de 2002, e que li na viagem de regresso a Portugal.
De Cláudia Oliveira a 24 de Abril de 2007 às 15:50
Identifico-me contigo nessa paixão pelos livros.
Infelizmente não posso comprar todos os que quero. Ando a ler José Luis Peixoto e tu?
De Clauclau a 24 de Abril de 2007 às 16:25
Nunca li nada de José Luis Peixoto.
Esta semana trouxe livros de Joana Miranda. Não conhecia a escritora e gostei bastante do que li. Achei que são mesmo daqueles livros que se começam a ler e não se pára até saber o final.
CONTIGO ESTA NOITE conta a história de duas irmãs que receberam a mesma educação mas que são completamente diferentes e que seguem rumos de vida diferentes.
SEM LÁGRIMAS NEM RISOS fascinou-me pela história que é contada. Temas como a riqueza / pobreza, o amor desigual dos pais pelos filhos, a traição, a força e a fragilidade.Recomendo vivamente.
Gostei imenso dos dois e vou de certeza ler os outros romances escritos por Joana Miranda.
O outro que li esta semana é A MENINA DANÇA? de Rita Ferro, mas não gostei muito. Já tinha lido UMA MULHER NÃO CHORA e este ficou muito aquém do que esperava.

Obrigada pela visita e bom feriado



De Cláudia Oliveira a 24 de Abril de 2007 às 18:14
Joana Miranda, mesmo hoje estive a olhar para os livros dela. A biblioteca da minha terra tem imensos. Tenho de os ler. Fiquei bastante curiosa quanto aos livros. Principalmente a história, CONTIGO ESTA NOITE porque me lembra a minha historia. Ja anotei e quando terminar o que ando a ler,vou ler esses. Não gosto de Ruta Ferro, acho-a muito queque. Já li ambos e não me agradou.
De Cristina a 25 de Abril de 2007 às 07:45
Salut ma belle,
C'est marrant ton histoire de la lune avec ton grand-père. En fait je m'en souviens moi aussi. C'est ma mère qui me l'a raconté dans ma jeunesse. Et je ne l'ai pas oubliée cet homme qui a été puni parce qu'il travaillait le dimanche...
C'est drole ces histoires de vieux.
Je t'embrasse très fort
De Clauclau a 25 de Abril de 2007 às 10:29
Je t'embrasse, aussi, très fort. Bisous à la famille et à Miguel.
De menphis_child a 30 de Abril de 2007 às 09:12
Queres um livro que vai mudar a tua vida ?

Mulher em Branco de Rodrigo Guedes de Carvalho.

Só pelos posts do teu blog, tenho a CERTEZA ABSOLUTA, que, depois de o ler, irá ser um dos livros da tua vida.
De Clauclau a 30 de Abril de 2007 às 15:12
Obrigada pela dica.

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