Terça-feira, 12 de Junho de 2007

Trabalho Infantil

Quando vejo todas estas imagens questiono-me:
Porque nos queixamos que não somos felizes?
Porque nos queixamos que aquilo que temos é pouco?
Porque nos queixamos que a "galinha da vizinha é melhor que a minha" e fazemos de tudo para conseguirmos uma "galinha" melhor que a do vizinho?
Porque nos queixamos de não ter o que outro tem?
Porque nos queixamos de trabalhar tantas horas?
Porque nos queixamos dos salários?
Porque nos queixamos das condições de trabalho?
Porque nos queixamos da autoridade dos patrões?
Porque nos queixamos de falta de higiene ?
Porque nos queixamos do aumento do preço dos alimentos?
Porque nos queixamos da falta de segurança?
Porque nos queixamos com o encerramento de alguns serviços?
Porque nos queixamos..... de tanta coisa?
Será que temos mesmo razões para se queixar?
Hoje é o dia Mundial Contra o Trabalho Infantil.
OIT (Organização Internacional do trabalho) estima que um pouco por todo o mundo mais de 218 milhões de crianças, entre os 5 e os 14 anos trabalhem em condições desumanas. Estima-se que 126 milhões trabalhem em condições extremas em minas e pedreiras. Quando os vemos, têm um olhar doce e nunca se queixam do trabalho que fazem. Muitos deles não têm qualquer alternativa. Trata-se de uma realidade bem complexa. Só com o trabalho destas crianças é possível assegurar a sobrevivência das famílias que de outra forma não o conseguem, fruto do ambiente de extrema pobreza em que vivem. O que mais me mete raiva, é ver que eles ganham pouco ou nada, uma verdadeira miséria, quando os objectos que produzem (ex: tecidos, tapetes,...) são vendidos depois a preços exorbitantes. Num documentário televisivo a que assisti há algumas semanas, as crianças eram fechadas nas salas onde trabalhavam 12 a 18 horas por dia, não podendo sair do local. Era aí que comiam,  que dormiam e que trabalhavam. Se durante o tempo de trabalho tentavam parar para descansar os braços devido ao cansaço intenso de horas a fio a trabalhar, logo alguém os obrigava, de forma violenta, a voltar ao trabalho. E quando passado meses, sem ver a família, regressavam a casa, apenas traziam algumas moedas, e outros nem isso porque muitos já tinham sido levados pelos empregadores para "pagarem" antigas dividas dos pais; e não julguem que estas crianças  ficavam felizes por regressar a casa. A verdade é que a realidade que as esperava era tão ou mais hostil do que aquela de onde tinham saído.
As organizações mundiais que lutam contra este flagelo muito têm feito para que muitas destas crianças possam ter acesso à educação, tentando mostrar que o investimento na educação é um meio para o desenvolvimento destes países. Estes milhões de crianças nunca viram um livro, nem sequer sabem escrever o próprio nome, porque nunca tiveram a possibilidade de frequentar uma escola. A única coisa que conhecem na vida é trabalho, trabalho e mais trabalho, acrescido de muita miséria. Não estudam, não brincam, não sonham...
Pena é que os que tudo têm, que podem brincar com os seus próprios brinquedos, que podem ir à escola, que podem comer três refeições por dia, não saibam dar valor a tudo isso. Talvez se tivessem mais consciência do quão privilegiados que são, deixassem de ser tão egoístas e aproveitassem tudo o que lhes é oferecido. Sobretudo naqueles casos sérios de alunos que nada fazem nas aulas, que no dia dos testes apenas preenchem o cabeçalho, e que andam lá porque os obrigam, impedindo os outros de aprender. Se passassem algumas semanas nestas condições, talvez encarassem o ensino de outra forma, se tornassem alunos interessados e com consciência da importância da escola no seu futuro.
 
 
Há algum tempo atrás li um  post que falava de trabalho doméstico como trabalho infantil. Acho que a dimensão de uma coisa nada tem a ver com a outra. Não considero que uma crianças que ajuda os pais em casa colocando um prato na mesa, fazendo a cama, lavando um copo, regando umas plantas, e outras pequenas tarefas, que fazem depois do horário escolar ou ao fim de semana, seja considerado trabalho infantil. Considero que estas pequenas tarefas só os ajudam a crescer, a ter valores, a saber ajudar o próximo.
Um exemplo é a minha afilhada, tudo o que faço, ela quer fazer igual. Vai fazer quatro anitos e é um amor de criança. E já ajuda a colocar o prato na mesa, já anda pela casa com a vassoura na mão (mais a sujar do que a limpar... lol ), já ajuda a puxar o lençol da cama, já quer dar comer aos animais, e fazer centenas de coisas que nos vê fazer... na verdade, fazer com que ela esteja quieta é um caso sério... só quando dorme. Amo a pequena. É a filhota que não tenho. A vantagem de estar desempregada é que tenho imenso tempo para estar com ela, proporcionando-me muitos pequenos momentos felizes. Basta ouvi-la chamar "mainha ... mainha ". 
A felicidade faz-se de pequenas coisas.
Clauclau às 23:04

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2 comentários:
De noche a 22 de Junho de 2007 às 22:18
adorei o teu post...parece que estou a ser um bocado "graxista" mas é sincero

a parte da tua afilhada fez-me lembrar a minha infância em que tinha-mos todos que ajudar em casa (com 5 filhos os meus pais tinham que por alguma ordem na capoeira) e lembro-me que na altura era um bocado chato ter que lavar loiça ou passar a ferro a minha roupa ... mas bem que já agradeci as lições...

pelo menos fome por não saber estrelar um ovo .. não passo

qto ao trabalho infantil o que escreveste está mesmo muito bem escrito (mais uma vez não quero parecer graxista... apesar de parecer mesmo!!)

há que tentar agir localmente e chamar a atenção porque há sempre alguem que anda a dormir...ou a fingir que dorme

obrigado e até breve
De Clauclau a 24 de Junho de 2007 às 13:07
Muitos preferem tapar os olhos e fingir que não vêem. Há situações caricatas. Assiste-se por vezes a situações que nos fazem pensar. Por exemplo, uma pessoa vai ao supermercado. Nesse dia há uma recolha de produtos alimentares pelo Banco Alimentar Contra a Fome. A pessoa sai do supermercado e até contribui para a recolha deixando alguns produtos alimentares. Essa mesma pessoa, carregando os seus sacos de compras percorre algumas dezenas de metros, passa por um sem abrigo SDF como dizemos em França ), folheando sacos de lixo em busca de restos de comida. E essa mesma pessoa, que antes contribuiu para o banco alimentar contra a fome, passa perante ele, impávida e serena, como se não fosse nada com ela. Não seria preferível abrir o saco, e oferecer-lhe um pão e uma maçã, um autentico banquete para ele, em vez de ter contribuído para o banco nacional contra a fome. De que serve ajudar os que nunca vimos na vida, quando ignoramos a realidade com que nos deparamos no dia a dia?

Beijos

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