Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007

Jogo duplo

- De facto, nós temos muitas outras coisas em comum.
- Não o enganas de vez em quando? Porque se o enganas de vez em quando eu gostava de me candidatar.
Violetta olhou para ele atentamente e depois suspirou.
- Não. Tu não és nada mau, mas a traição não me interessa. O meu carácter não é suficientemente forte para enganar.
- Ou seja? O que é que queres dizer com isso?
- Para trair é preciso saber mentir, saber aguentar os remorsos, ter uma grande opinião sobre si próprio, tipo: quero lá saber se o enganei, eu divirto-me, e é isso que importa. Em suma, é preciso ser muito forte. Eu sei que não era capaz, confessava logo tudo, chorava e, armava uma grande confusão. Já tentei uma vez e correu muito mal.
- E com quem tentaste?
Com um colega da escola. Andava com outro colega de escola, mas só consegui fazer jogo duplo durante uma semana, depois já não me lembrava do que tinha dito a um e ao outro, comecei a fazer uma baralhação, o meu namorado apercebeu-se de qualquer coisa e eu em vez de aguentar firme confessei-lhe tudo na véspera de Natal. Nunca mais me vou perdoar.
- Ele já te tinha dado a prenda?
- Sim. Tinha-me dado o Narciso e Goldmundo, do Hesse, e quis que eu ficasse com ele.
- Gostaste?
- Nunca o li.
- Que história tão triste – disse Mattia, enquanto secava cuidadosamente uma travessa.
- Não é? Então podes perceber por que é que eu acabei definitivamente com as traições. Se me aparecer alguém por quem eu me apaixone a ponto de não entender nada de nada, então primeiro deixo o Eugénio e só depois é que o engano.

Mattia suspirou. – Mas que história... Apaixonar-se a ponto de não entender mais nada de nada... olha que os homens e as mulheres são mais ou menos todos intermutáveis... depende das situações, o amor, e não das pessoas... eu acho que não levo as coisas assim tão a sério com as raparigas. Qualquer uma, se for gira e não for chata, serve bem. Todas têm alguma coisa de atractivo e qualquer coisa de desagradável. Ou ainda acreditas no destino?

A abelha do amor – Stefania Bertola

Clauclau às 11:36

| Comentar | Adicionar aos favoritos

Pesquisar

 

Posts recentes

Escolhas

Investir

Sonhar com o impossível

Amores

Amor

Felicidade

O que construimos

...

Algo melhor

Explosão de hormonas

Aventuras rápidas

Quero-te comigo

Arquivo

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Outubro 2008

Setembro 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

tags

afl(30)

amor(260)

ana santa clara(9)

casamento(10)

catherine dunne(11)

citações(324)

dr.ª robin l. smith(8)

ildikó von kürthy(13)

joana miranda(60)

jorge bucay e silvia salinas(11)

livros(308)

margarida rebelo pinto(32)

maria joão lopo de carvalho(10)

miguel sousa tavares(24)

paulo coelho(28)

robin sisman(9)

sofrimento(21)

stefania bertola(12)

suzanne schlosberg(10)

vida(183)

todas as tags

Readspeaker

Imagens

Retiradas da net