Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007

1.º de Novembro

Há dias que são sempre iguais ao longo dos anos.

O 1.º de Novembro é mais um deles. Todo ele é exclusivamente dedicado aqueles que já partiram. São imagens que, de um certo modo, não deixam de me perturbar. À medida que os meus pés se movem, os olhos vêem gravadas, na pedra fria, a imagem daqueles que me fizeram muitas vezes sorrir. A primeira passagem é sempre pela actual morada dos meus avós maternos. O meu avô já faleceu há 22 anos e a minha avó há 14, mas lembro-me deles como se os tivesse visto ontem dado que há momentos que permanecem sempre vivos nas minhas recordações. A morte do meu avô, tinha eu oito anos, foi a minha primeira noção daquilo que é perder alguém que amamos sem poder fazer nada para o evitar. 

Depois desta primeira "visita", seguem-se os tios, tias, primos e primas e os amigos que faleceram de Cancro ou de acidente de viação ou de trabalho. É incrível como são centenas e centenas de rostos imóveis que já não nos devolvem um olhar de carinho, de afecto, que tanta falta nos faz. Nunca passo por ali, sem "visitar" o Leonel. Foi o primeiro amigo que perdi vitima de Cancro, tinha ele apenas 23 anos. Nunca esqueci o seu sorriso, a sua alegria de viver. E a ele seguiram-se tantos outros. Em cada canto há um rosto conhecido, e um, e mais um... e o pior é que cada vez há mais e mais. E cada vez é mais difícil aceitar que se tenha de partir quando ainda havia tanto para fazer.

É sempre impressionante ver aquele mundo de gente que no dia de hoje passa pelo cemitério para trocar as velhas flores por umas mais bonitas... e é verdade que fica lindo no dia de hoje. Não sei se aqueles que já partiram sabem que lhe dedicamos este dia, que fazemos tudo para que a sua morada esteja mais bonita. Na verdade questiono-me muito sobre se haverá mais alguma coisa ou se acaba mesmo tudo por ali.

Passei ainda pela morada do Edgar, e continuo a perguntar por que motivo ele acabou com a própria vida. É impressionante olhar para a imagem de um rosto, de sorriso aberto, olha para nós. Porquê? Pergunto-me até que ponto durante o tempo que esteve em coma, ele se terá dado conta do seu acto, se se terá arrependido dele, se voltaria a fazer o mesmo se tivesse escapado a este acto incompreensível. Perguntas a que só ele poderia responder...

 

 

 

 

"- Não foi um acidente – interrompeu ela tranquilamente. – A queda era de bastante alto e eu esperava morrer. Mas, quando recuperei a consciência e vi que me encontrava em risco real de morrer, percebi até que ponto queria viver. Que nenhum homem merecia que eu perdesse a vida por ele."
 
Apaga a luz – Isabel wolff
Clauclau às 23:31

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1 comentário:
De noche a 11 de Novembro de 2007 às 14:11
eu apesar de tudo tenho sorte... só me falta uma pessoa que foi mais cedo que o suposto... talvez por isso não dê tanta importancia ao dia

se bem que é um dia importante...porque o resto do ano deveria ser para cuidar dos que ainda cá andam e às vezes nao dou valor

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