Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

Tu e não eu

"Sei que se me pudesses ouvir me chamarias egoísta e dirias que, como sempre, é só a minha vontade que conta. estou sempre a falar contigo, mas tu não me ouves. Eu, porém, oiço-te sem que tu fales e quando falas, adivinho o contrário do que me dizes. Vejo-te à deriva e perdido e não te posso ajudar, porque tenho de me ajudar a mim. Tu não entendes, eu sei. Vives um conflito entre a tua força vital - que eu não te roubei, nem poderia - e a tua vontade de te deixares afundar, de te fechares no escuro da tua casa e maldizeres-me, interminavelmente. Tu e não eu, se encarregará de destruir tudo o que vivemos, de acordo com a lei do excesso que é a única que compreendes: tudo ou nada, verdade ou mentira, amor ou ódio.

Tu odiar-me-ás e eu nada poderei fazer, senão sofrer o teu ódio em silêncio, sofrê-lo na carne, como açoites, dilacerando o meu corpo que foi teu tantas vezes, como nunca foi de mais ninguém.

Assim vou vivendo sem ti e sem procurar saber de ti. Mas sei de mim, sei do imenso vazio da tua falta, que nada preenche nem faz esquecer. Sei das horas que continuo a atrasar-me no hospital para não chegar cedo a casa. Sei dos horas que faço para não te encontrar e não deixar que destruas um pouco mais o que já se escaqueirou."

Não te deixarei morrer, David Crockett
"A fidelidade"
Miguel Sousa Tavares

Clauclau às 17:10

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Domingo, 16 de Setembro de 2007

Vive

" Vive tu. Vive por nós ambos. Não deixes que eu te destrua. Não me deixes mais esse peso. Navegarei até ao cais onde tenciono ficar e até morrer, mas evitarei o naufrágio em mar alto e não me deixarei afundar aqui, encostada à terra firme.

Eu sempre soube que tudo terminaria assim. Sempre soube, mas nunca fui capaz de te deixar."

 

Não te deixarei morrer, David Crockett
"A fidelidade"
Miguel Sousa Tavares
Clauclau às 23:27

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Sábado, 15 de Setembro de 2007

Acreditar

"Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhamos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhamos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos.

E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."

Não te deixarei morrer, David Crockett
"Eternamente"
Miguel Sousa Tavares

Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007

Sentir a falta dele

“Não se pode dizer uma coisa dessas, pelo menos, assim de repente. Eu não sei se senti a falta dele. Ou seja, geralmente só se sente a falta de uma pessoa quando ela sempre esteve presente e depois se vai embora por pouco tempo. Se essa pessoa se vai embora e não volta, é como se nunca tivesse estado presente. Não é assim?”

A outra face do amor – Catherine Dunne

Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007

Sem contacto visual

“Lisa estava a ver televisão quando Rose chegou a casa.
- Olá, querida. Estás bem?
Ela encolheu os ombros. – Sim, estou bem – respondeu , e continuou a olhar fixamente para o ecrã. Rose não disse mais nada. Sentou-se ao lado da filha no sofá, deixou que o seu coração abrandasse e os seus olhos deambulassem, cegos, até à televisão.
Era uma técnica que aperfeiçoara ao longo dos anos. Os adolescentes – pelo menos os adolescentes da sua família – pareciam comunicar os seus problemas mais livremente se não fosse imposto nenhum contacto visual com o progenitor. Rose recordava-se de como costumava dirigir-se ao topo da cabeça de Brian enquanto ele estava concentrado nos jogos de computador. Também no passado ficara bastante familiarizada com os contornos angulosos das omoplatas de Damien enquanto o seguia à volta da cozinha. Mantinha-se prudentemente vários passos atrás dele, aproximando-se tanto quanto podia, esperando pacientemente enquanto ele procurava comida no frigorifico, ou abria e fechava os armários de cozinha. Foi nessas circunstâncias que teve as conversas mais profundas, mais difíceis, mais reveladoras com os seus filhos.”
A outra face do amor – Catherine Dunne
Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007

Submissão

“Uma vez tivemos uma terrível discussão sobre esse assunto, e eu acabei por me sentir culpada. Sentia que não tinha o direito de o desafiar; afinal de contas, eu não ganhava dinheiro. Estava entre a espada e a parede, mas, para ser justa, não entendia assim nessa altura. Suponho que me submetia a ele, à sua experiência profissional, à sua... perspicácia. O meu território era a minha casa e os filhos. Era o desejo de ambos. Até que ele falhou, claro.”
A outra face do amor – Catherine Dunne
Clauclau às 23:59

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Terça-feira, 11 de Setembro de 2007

Tarefas domésticas

“Rose dobrou cuidadosamente a roupa seca e deixou-a na cama do quarto de visitas. Dobrada assim, o trabalho de engomar era menor. Fora uma maneira de persuadir Damien, nos primeiros tempos, depois Brian, e agora Lisa a realizar esta rotina: isso, e a autorização para ouvir a música tão alta quanto quisessem, desde que ninguém incomodasse os vizinhos.
- Como os preceitos se quebraram – observava uma vez Jane, há uns anos atrás. Tinham estado sentadas na cozinha de Rose bebendo o habitual copo de vinho numa sexta-feira à noite. – Pensar que costumava passar as cuecas e as meias a ferro. Agora, as coisas saem do secador, ou da corda, alisam-se rapidamente, dobram-se rapidamente e, regra geral, já está. Ninguém se preocupa com os pormenores.
Jane rira-se dela. – O teu segredo fica bem guardado. Prometo que nunca direi a ninguém que costumavas engomar as meias!
Mesmo assim, reflectia agora Rose, embora a rotina doméstica tivesse sido reduzida a um mero processo de manutenção, era incrível o tempo que se perdia. Ir às compras, cozinhar, lavar: mesmo as coisas mais básicas exigiam horas enérgicas e suplementares de uma semana já de si preenchida. Muitas vezes sentia falta do lado ociosos da sua antiga vida; vezes em que desejava realizar todas as velhas obrigações num ritmo mais lento, mais ponderado e meticuloso. Sentia falta da vida doméstica; agora tudo o que fazia parecia ser, na melhor das hipóteses, cuidar da casa. Na pior das hipóteses, distinguia-se por ficar à frente do pelotão, manter a cabeça fora de água.”
A outra face do amor – Catherine Dunne
Clauclau às 23:56

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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007

Crescer

“Quando é que os jovens finalmente crescem? – perguntou Rose subitamente. – Com a sua idade, eu estava casada, trabalhava e cuidava da casa. Não quer dizer que queria que ele faça tudo isso – acrescentou apressadamente. – Eu era demasiado jovem; agora sei isso. Mas estes miúdos são tão diferentes da minha geração, da minha experiência, que me sinto uma estranha, alguém que veio de outro país a tentar aprender uma nova língua.
- Não é a única. Ficará satisfeita por saber que a Associação Americana de Psiquiatria concluiu recentemente que o fim oficial da adolescência – em particular nos jovens ocidentais – é actualmente aos trinta e quatro anos. – A Dra. Keane levantou-se, sorriu com vivacidade e fechou o processo do Damien. – Ainda tem muito que caminhar.
Rose deu-lhe um aperto de mão. – Isso é se eu viver até lá. Deus do Céu, tenho lá mais dois em casa. Por este andar, só estarei livre deste imbróglio aos setenta. Que perspectiva... Poderei reformar-me, os meus filhos serão independentes e poderei descansar aos setenta? A vida é difícil.
A Dra. Keane riu-se. – Não se preocupe. As coisas tornam-se mais fáceis.”
A outra face do amor – Catherine Dunne
Domingo, 9 de Setembro de 2007

Recompensas

“Teve uma súbita e tremenda saudade de todos os anos árduos e descomplicados das infâncias dos seus filhos. Tinham dado muito trabalho, mas não problemas: todas as dificuldades maternais amplamente recompensadas por apenas um sorriso radiante.
«Como as coisas podem mudar tão rapidamente», pensou. «O que antes fora a certeza do amor e da coesão, de alguma forma se transformara do dia para a noite em angústia, alheamento, e praticamente todo o género de dificuldades.» Rose começava agora a recordar aquela noite sísmica, quando descobrira com clareza brutal e amarga que a sua acarinhada e amada família começara finalmente a implodir.”
A outra face do amor – Catherine Dunne
Clauclau às 00:27

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L'argent

Hoje, enquanto falava no MSN com a minha afilhada que está em Paris, não pude deixar de reparar em algumas citações que utilizou enquanto falávamos sobre este malfadado metal. Aqui ficam algumas delas.

 

Il y a tellement de choses plus importantes que l’argent, mais il faut tellement d’argent pour les acquérir.
 Groucho Marx
 
 
 
Un banquier ne vous prête de l'argent que dans la mesure où vous n'en avez pas besoin. Si vous avez vraiment besoin d'argent, c'est que vous êtes dans une situation désespérée. Et dans une situation désespérée, vous n'intéressez pas un banquier.
Paul-Loup Sulitzer
 
 
 
Celui qui a soif, n'a pas d'argent, et celui qui a de l'argent, n'a pas soif!
Adolphe Matthis

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