Sábado, 8 de Setembro de 2007

Arrependimentos

“Ela serviu descuidadamente, desejando que ele se fosse embora, desejando que ele nunca tivesse voltado, desejando nunca tê-lo conhecido, que os seus filhos tivessem, de algum modo, sido trazidos através do mundo espiritual.”

A outra face do amor – Catherine Dunne

Clauclau às 23:37

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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007

Nada mais do que um desconhecido

“Parecia não haver mais nada para dizer. Ela olhou para ele com um ligeiro distanciamento. Estivera casada com este homem. Amara-o, preocupara-se com ele e confiara nele. Tivera filhos dele, e agora ele parecia-lhe alguém que conhecera há muito tempo, por breves momentos, numa vida anterior.
Ela não parava de sondar se sentia algo, se tinha alguma emoção. Como uma língua sondando um dente que dói, teria ficado tranquilizada por sentir a dor da sua presença. Pelo contrário, todo o sentimento parecia ter sido extraído, removido do caminho, não deixando nem a mínima brecha como recordação da sua prévia existência atormentada.”
A outra face do amor – Catherine Dunne
Clauclau às 23:33

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Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007

Necessidade de mudar

“O pensamento repentino surpreendeu-a há muito que não se sentia assim, há anos, desde os primeiros tempos que se seguiram à partida de Bem. Nessa altura, a sua vida era preenchida com pães de forma, bolos, pizzas; toda aquela massa fermentada a crescer uniformemente no calor inebriante e emocional da sua própria cozinha. Os seus dias tinham-se tornado uma rotina vaporosa de misturar, amassar, provar. Enquanto tudo à sua volta crescia e se desenvolvia e duplicava em tamanho, ela via-se a definhar e engelhar-se, a desaparecer nas fronteiras da sua própria existência. Ao fim de quase dois anos estava farta: necessitava de estar noutro lugar, algures onde pudesse respirar. Aproveitara a primeira oportunidade que se lhe deparara: um estabelecimento por arrendar, algo deteriorado e mal equipado, é certo, mas próximo de casa, barato e destinado a ser dela. Ela sabia-o; sentia-o.
...
- Talvez tenhas razão – admitiu, finalmente. – Não sei ao certo que género de mudança posso empreender, mas não posso continuar assim, com o dinheiro a escoar-se como se o futuro não existisse.”
A outra face do amor – Catherine Dunne
Clauclau às 18:20

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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2007

Ponderação

"Sinto-me como aqueles ratos horríveis na roda, rodando e rodando freneticamente sem ir a lado nenhum.
- Além disso, os regulamentos do Ministério da Saúde estão cada vez mais exigentes. Preciso de um sítio apropriado.
Pauline fora calma, profissional, tal como o pai. – Entendo isso, Rose, mas estas instalações que tens em mente não são adequadas. Pensa um pouco: por que razão são tão baratas? Por que motivo estão há tanto tempo à venda? Como tua solicitadora, seria negligente da minha parte deixar-te assinar este contrato de arrendamento. Tem mais buracos do que um coador.
Rose já se atirara para a antiquada cadeira de braços, aborrecida e derrotada. Pauline tinha razão, claro. E isso era apenas mais uma das muitas coisas que tornava tudo pior. Estiveram sentadas em silêncio até à fúria impotente de Rose se desvanecer, como um foguetezinho de Carnaval de uma criança."
 
 
A outra face do amor – Catherine Dunne

Clauclau às 18:13

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Terça-feira, 4 de Setembro de 2007

Ouvir, é reviver


Sempre que escuto músicas dos Offspring ou dos Scorpions, o meu pensamento vai para ti. Obrigada por tudo aquilo que me ensinaste, pelas palavras, pelos gestos, pelos actos. Foste e sempre serás uma pessoa muito especial. Nunca esquecerei a força que me deste no meu ano de estágio. Saber que estavas por perto tornava tudo muito mais fácil.

Nunca voltei a encontrar ninguém que fosse tão directo e sincero nas suas palavras, como tu.

Apesar das largas centenas de quilómetros que nos separam, sabes que tiveste, tens e sempre terás um cantinho muito especial no meu coração, e que por mais voltas que a minha vida dê, nada, nem ninguém vai alterar as boas recordações que tenho desse ano.

 


Clauclau às 23:30

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Lado positivo

"Era Abril, sábado e chovia. Sentado na cama, lembrou-se das instruções que dera a si mesmo para aquela manhã: fazer peito forte à desgraça. Nada é inteiramente bom, mas nada é inteiramente mau - pensou. Posso ler à noite até me apetecer sem me mandarem apagar a luz, posso dormir atravessado na cama, posso-me livrar daquele rol de cobertores com o qual ela me esmagava, fizesse sol, chuva ou frio, porque as mulheres são mais friorentas que eu sei lá, posso usar a casa-de-banho todo o tempo que quiser, posso espalhar as roupas, os jornais e os papéis pelo quarto à vontade e até - oh, suprema liberdade - posso fumar à noite na cama."

 

Não te deixarei morrer, David Crockett  
"O Primeiro Dia"
Miguel Sousa Tavares
Clauclau às 17:34

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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007

Nada dura para sempre

"O que o acordou foi o silêncio. Primeiro, o do despertador que não tocou à hora combinada todas as manhãs. Depois, o de outra respiração, que devia ouvir e não ouvia. Estendeu a mão para o quente do outro lado da cama e encontrou o frio. Apalpou e encontrou vazio. Então, sim, despertou completamente.

Um prenuncio de tragédia desceu por ele abaixo, como um arrepio. o que acabara de se lembrar era que não acordara só por acaso ou por acidente: aquele era o primeiro dia, a primeira manhã da sua separação - o primeiro de tantos dias? - em que acordaria sempre sozinho, com metade da cama fria, metade do ar por respirar."

Não te deixarei morrer, David Crockett  

"O Primeiro Dia"

Miguel Sousa Tavares

 

 

Clauclau às 17:27

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O que lhe vai acontecer...

“- De qualquer modo, o facto era que tínhamos três filhos – O Damien , o Brian e a Lisa – e mantivemos a coesão durante grande parte dos vinte anos, como fazem os casais. Mas, há cerca de dez anos, senti que algo estava mal: entenda-se, mesmo mal, à excepção de todos os «males» diários com que aprendêramos a viver. As coisas tinham-se tornado insípidas, suponho, e decepcionantes. O Bem tornara-se cada vez mais obcecado pelos negócios – nesse tempo estava lançado no negócio do imobiliário, e eu refugiei-me na família. Depois, inesperadamente, há oito anos, descobri que mantinha outra relação.
- Oh – exclamou Sam . – Isso deve ter sido penoso.
Rose acenou. – Sem dúvida que foi. Embora as coisas não andassem bem há muito tempo – eu aprendera desde muito cedo que não estava no topo da lista de prioridades do Bem -, ser preterida é uma história completamente diferente. De repente, sentimos falta de tudo quanto nunca tivemos na realidade, e começa uma verdadeira vertigem de emoções. Vou directa ao assunto: há oito anos, numa manhã de Abril, ele entra na cozinha e diz-me que se vai embora, que já não me ama. Já tinha a mala pronta e não havia nada a fazer. E lá foi ele.
- E nunca mais o viste? – Sam parecia incrédulo.
- Oh, vi pois. E de mala feita. Patético, não é? A mulher do seu sócio: a glamorosa Caroline . Por acaso, é uma mulher muito simpática. Mais tarde fizemos as pazes; ela até me recomendou a clientes quando iniciei o meu negócio de «Catering”. Creio que o único erro grave que cometeu na sua vida, marcada por um gosto irrepreensível, foi apaixonar-se pelo Ben.
Sam riu-se para ela. – Então, ela depois largou-o? – Rose riu-se. Para ela era uma fantasia passageira. Ficou horrorizada quando ele lhe confessou que deixara a mulher e os filhos. Ela não queria nada de duradouro com o Bem. Despachou-o a grande velocidade e voltou para o seu marido. Foi o fim das suas férias românticas. E o resto, como se diz, é história. voltei à realidade com uma rapidez surpreendente e resolvi que não queria o Bem de volta, mesmo que ele pedisse. Foi como um despertar, como algo que estivesse a aguardar inconscientemente durante anos. Queria terminar a relação, assegurar a protecção dos filhos e seguir a minha vida.”
A outra face do amor – Catherine Dunne
Domingo, 2 de Setembro de 2007

Grande burra!

Há pessoas que me dão a volta ao estômago . Esta é só mais uma delas.
Há cerca de um ano atrás, descobri que esta tipa, que vive com um primo meu há doze anos, e de quem tem uma filha de 10 anos, o andava a enganar. Na altura tive uma grande conversa com ela, pensando, na minha ingenuidade que iria colocar algum juízo naquela cabeça. Pensei que ela iria abrir os olhos, sem que tivesse de magoar o meu primo. Iludi-me. As minhas palavras não serviram para nada. Hoje apetecia-me enchê-la de porrada . Contaram-me que o meu primo já tinha tirado tudo de casa, e que ela já lá tinha o amante.
Que ela nunca teve muito juízo, já todos sabíamos, o pior é que o meu primo continua apaixonado por ela, e levou um ano, para saber o que já todos sabíamos há muito.
Aceito que as relações acabem. Nem sequer é isso que me revolta nisto tudo. O que revolta é a Princesa, que nunca fez nada na vida, ter trocado o meu primo, que abandonou tudo o que tinha em França, para vir viver com ela, que se «matou» a trabalhar para sustentar as suas manias e caprichos, para ela agora o trocar por um puto de 20 anos, viciado em drogas, que só trabalha quando lhe apetece. O que é que ela pensa que vai ser a vida dela daqui para a frente? Será que ela nem sequer se apercebeu que se estava a atirar do cimo de um penhasco? Que o puto só estava interessado em sexo e nas manifestações de riqueza dela? Que se vai embora em poucos meses, e que ela só ai vai perceber o quanto chegou ao fundo do poço?
Só de ouvir dizer que vai começar a trabalhar, numa padaria, me dá para rir? A «madame» a trabalhar para sustentar os vícios do amante... e o resto... as contas para pagar... chego a ter pena dela... Nasceu num berço de ouro, e nunca teve de mover uma palha para ter o que quisesse.
É a isto que se chama passar de cavalo para burro. Deixar de conduzir o potente BMW para andar num Seatezito com mais de quinze anos, deve fazer alguma diferença... não tanto quanto ver uma princesa a vender pão de porta em porta... mas até é engraçado, porque sabendo como são os comentários das pessoas da aldeia, ela que se prepare para «comer o pão que o diabo amassou». Não foi por falta de aviso, mas acho que quando a tentei avisar, já tinha demasiada farinha nos olhos. Agora aguente, pois vai viver um verdadeiro inferno. 
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