Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008
“Porque estou a pensar em Velazquez a meio da noite? Ridículo! Conheço-o há apenas dois meses. Dois meses! Nunca acreditei no amor à primeira vista. O amor é construído, dia a dia, gesto a gesto. O que sinto mais não é do que uma emoção patética, de que não consigo definir os contornos. É fácil rotular de amor coisas que o não são: entusiasmo, atracção física, cumplicidades, sensações avulsas que desencadeiam marés de adrenalina. Seria perfeitamente idiota se me apaixonasse por um homem como Velazquez! Não temos nada em comum. Existe o fosso geracional, os valores, a paixão dele por Verónica, o feitio irascível, o estilo de vida, os objectivos, os modos de ser.”
O espelho da Lua – Joana Miranda
Domingo, 13 de Janeiro de 2008
“ Se estou apaixonado por alguma coisa, é pelas palavras e pelos livros, em que entro quando me parece possível no mundo de alguém. Nessa altura pouco me importa que esse alguém possa ser um fantasma, ou que os meus dias sejam passados nesse mundo irreal. E a experiência não difere da de uma criança que está doente de cama e passa o dia a ler histórias de aventuras, e adormece e acorda com as capas do livro pegajosas nas mãos, ou esparramadas sobre o peito adormecido. As pessoas de verdade e as coisas de verdade não têm a mínima importância, existindo apenas sob a forma de um som distante e abafado que chega do andar de baixo. É pois assim, neste mundo egocêntrico da imaginação, que passo os dias.”
Dizei uma palavra e eu serei salvo – Niall Williams

Sábado, 12 de Janeiro de 2008
“Para já, se não conseguirmos este estágio superior podemos pelo menos parecê-lo, o que às vezes resulta melhor. Em vez de lhes falarmos na bolsa falemos do bolso; em vez do orçamento de estado refiramos o orçamento doméstico disponível para os saldos da Zara; em vez do buraco de ozono, o buraco no cano da cozinha, em vez das listas de espera na saúde as listas do mês no Pingo Doce, em vez da politica actual, a política do casal em que existem muitas vezes uns seres estranhos destinados não à oposição, mas à procriação.”
Palavra de mulher – Maria João Lopo de Carvalho

Jusque ici tout va bien…
L'important c'est pas la chute, c'est l'atterissage!
Mais um dos filmes que nunca irá parar ao caixote do lixo...
Para rir, para chorar e para pensar...
24 heures dans la vie de 3 garçons (un blanc : Vinz, un beur: Said, un black: Hubert), dans une cité parisienne au rythme des bavures policières et de galère incessante.
La haine, n'est pas un film pour les jeunes de la banlieue, qui eux savent très bien ce que c'est que la banlieue. Ce n'est ni un documentaire. La haine est un film pour toutes les autres personne qui croient que les cités sont dans des pays étrangers loin de la France. La haine, c'est une journée dans une banlieue ordinaire, c'est l'histoire de trois jeunes gens victimes du chômage de la drogue et de la police. Le réalisateur s'est inspiré pour réaliser ce film d'un fait divers, la mort d'un jeune noir dans une banlieue, tué par un policier : Makomé. Mathieu Kassovitz, nous explique, ou du moins essai, de nous faire comprendre comment un policier peut en arriver là
Le film, réalisé en noir et blanc, nous donne un ton dramatique dès le départ avec des images de batailles entre jeunes et forces de l'ordre. Le scénario est très bien concu, plus les heures passent plus on sent la pression monter entre les personnages (la haine monte…). Durant cette journée, ces 3 jeunes (Vinz, alias Vincent Cassel, Said alias Said Taghmaoui et cousin Hub alias Hubert Koundé), vont nous faire vivre leur quotidien mélangeant dialogues chocs, leur agressivité, leur malchance, leur technique de drague..
Le rythme du film parfois lent, parfois rapide, impose une musique qui, ajoutées aux ruptures de ton fait bien ressentir l'atmosphère de la cité, de longues heures à parler de tout et de rien, de ce que l'on a vu à la télé hier soir, du match de boxe…. Des mouvements de caméra très rapides, voire nerveux renforcent cet effet.
La haine est un film moralisateur qui sert non seulement à dire que les cités et les jeunes qui y vivent dedans sont en danger mais sert aussi à préciser que tout comme les policiers, les jeunes possèdent des armes mais eux ne les utilisent pas (pas encore). Lors de leur virée sur Paris, on comprend vite le contraste de ces jeunes et du monde extérieur, la cité c'est un ghetto. La drogue un revenu, la police un ennemi. La sensation du phénomène de société est bien aussi présente notamment quand on voit les journalistes arrivés puis essayer de poser des questions aux 3 protagonistes principaux.
Il est clair qu'à la manière dont le film est tourné, on se voit nettement que Kassovitz a pris le parti des jeunes envers la police. Les agresseurs ce sont les flics, pas eux. Les 3 personnages on un caractère bien défini qui correspond bien à tous ces jeunes (je sais de quoi je parle, j'y ai vécu). Vinz, lui comme il le dit, est de le rue, peu d'éducation, peu de repère, pas d'envie de s'en sortir. Hubert, lui c'est l'inverse, il représente l'amour de la famille, le grand frère sympa, le fils idéal qui aide sa mère à payer le gaz en dealant et qui veut sortir de là. Said est plus un mélange entre les 2 autres, ni trop l'un ni trop l'autre. De la rue avec une légère envie de s'en sortir.
In, www.chroniscope.com/critique_1_64.html
Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008
"O ciúme! Upssst... não há nada que doa mais! Dói no peito, dói na cabeça, até dói no corpo, por dentro e por fora. Porque é que alguém, em tempos idos foi tão perversos que inventou o ciúme? Há os favor que dizem que o ciúme é o cartão de visita do amor e os que têm para si que, quando há confiança mútua e uma grande sincronia, o ciúme não entra nem à força. Tudo teorias... quem é que não sente um nó na garganta quando o recente namorado atende o telemóvel no meio do jantar e com um risinho parvo responde: «eu depois ligo, agora não posso», ou então, pior um pouco, olha para o número e desliga com um ar comprometido.
É de arrancar os cabelos e só quem não vive é que nunca passou por isso.
Aliás, os telemóveis são os culpados da maior parte das cenas de ciúmes."
Palavra de mulher – Maria João Lopo de Carvalho
Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008
(...)Quando se é feliz muito novo, a única obsessão que se tem é aguentar a coisa. Vive-se ansiosamente com a desconfiança, quase certeza da coisa piorar. O pior é que as pessoas que se habituaram a serem felizes não sabem sofrer. Sofrem o triplo de quem já sofreu.
É injusto mas é assim.
No amor é igual. Vive-se à espera dele e, quando finalmente se alcança, vive-se com medo de perdê-lo. E depois de perdê-lo, já não há mais nada para esperar. Continuar é como morrer. As pessoas haviam de encontrar o grande amor das suas vidas só quando fossem velhas. É sempre melhor viver antes da felicidade do que depois dela.
Miguel Esteves Cardoso
Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008
“Para o aniversário de Kate, em Abril, Jim pensa escrever-lhe um poema. A inspiração pode vir da falta de dinheiro – o que ganha mal lhes dá para sobreviver no apartamento do dr. Morgan, de renda especialmente baixa a troco do corte da relva, não lhe permitindo o luxo das coisas bonitas que se encontram nas lojas de Bedford Village e Chappaqua, onde toca uma sineta quando alguém entra. A pobreza é relativa, mas é suficiente para o deixar com uma sensação de vergonha, de inutilidade, que talvez a composição de um poema possa absorver. O problema é que há muito tempo não escreve nada. As últimas coisas que escreveu foram umas frases, peças soltas do que pode vir a ser alguma coisa, uns quantos fragmentos rítmicos que lhe andam a bailar na cabeça. Mas o poema propriamente dito nunca chegou a ganhar forma, como se, apesar de ele pronunciar as palavras e tentar exprimir o sentimento, não se desse o acto de transubstanciação. Pô-lo de lado.”
Dizei uma palavra e eu serei salvo – Niall Williams

Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008
“Às vezes só lhe apetecia baixar os braços e deixar tudo como estava. Outras vezes ficava farta de namorar ano após ano, de não ter a sua independência, de não poder dormir com Vasco sempre que lhe apetecia, de ter de ouvir as teorias da mãe...”
Promessa de uma vida a dois – Sandra Pinto
Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008
“Todos querem sempre falar do outro, e é verdade. Isso era o que eu e Cristina fazíamos em cada discussão. E era isso mesmo que tinha posto fim à sua relação com Carolina. De facto, tinha-se se separado dela porque pensava que com outra seria diferente.”
Amar de olhos abertos – Jorge Bucay e Silvia Salinas

Domingo, 6 de Janeiro de 2008
“Apaixonar-se para quê e como, se está há anos apaixonado por uma mulher de nome Matilde, que se importa tanto com ele como com o valor do produto interno bruto do país em que vive. Zero! Simplesmente Zero!.”
Não se escolhe quem se ama – Joana Miranda