Sexta-feira, 8 de Junho de 2007

Um pedido de desculpas

“Alguma vez te sentaste contigo, comigo ou com qualquer pessoa, a desabafar? Alguma vez te deste licença para gritar? Seria natural, tendo passado o inferno. Com ele e por causa da tua paixão por ele... Alguma vez te concedeste o direito de dar os coices que seria de esperar? Uma mulher que se dedicou... – Enunciavas-lhe os predicados, tanto pelos dedos: - ...talentoso, bonito, simpático, incompreendido, frágil, bem falante... Afinal, era um coirão egoísta, mimado, fraco e manipulador, um drogado mentiroso, como todos são!, que te roubou tudo, desde os objectos à paz de espírito e te atraiçoou?”
Praia das Maçãs - Margarida Faro
 
Continuo sem aceitar as desconfianças do AFL : Passaram 16 meses e parece que foi ontem. Ainda sinto a mesma raiva, o mesmo desgosto ao ouvir as palavras que lhe saiam da boca, sem dó nem piedade, sem se preocupar sequer em questionar se seriam verdade as traições de que me acusava. Os meses passam, e sei que só o conseguirei perdoar no dia em que me pedir desculpas por toda a dor que me causou, por todas as calunias e por todas as palavras ditas sem pensar.
Esperarei... até ao fim dos meus dias por um pedido de desculpas sentidas. Acho que há uma altura na vida em que temos consciência dos nossos erros, e espero que um dia ele tome consciência dos seus actos. Não é que queira o seu amor de volta. Ao contrário de algumas histórias de vida em que é possível recuperar o que se julgava perdido, a minha esperança não é a de voltar a refazer a minha relação com ele. Quero voltar a amar, mas outra pessoa, alguém que mereça de verdade o meu amor, os meus afectos. O AFL deu-me mais do que provas suficientes de que não era, nem nunca será a pessoa digna do meu amor. Dele apenas preciso de um pedido de desculpas. Só isso. Não era pedir muito... mas infelizmente muito homens nunca assumem os seus erros. Até o podem fazer interiormente, mas muito dificilmente o assumirão em palavras sinceras.
Esperarei, sem pressas, em vida ou em morte, por esse pedido de desculpas. É só isso que necessito de ti "ser cruel". Talvez isso diminua toda esta raiva que teima em habitar em mim.

Clauclau às 14:45

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