"Estava a falar de Lisboa: que tinha lá vivido, catorze anos, uma cidade boa e que tinha lá um negócio, no Cacém, que corria muito bem - vendia muito, vendia tudo. Trabalhava todos os dias, de sol a sol, no negócio das mobílias. Mas não ficava parado nas lojas, à espera dos clientes. Ia ter com eles, nem que fosse de noite, tá a ver. Se alguém se casava ou mudava de casa, lá ia eu propor-lhes a minha mobília. O sacana do alentejano vende que se desunha, diziam os outros, os invejosos. Eles´prá li sentados, a ver o pessoal, e eu sempre de um lado para o outro. Eram outros tempos, o senhor está a ver, fui juntando ouro, que o dia de amanhã pertence a outros. Todos os meses acrescentava o cordão de ouro que a minha mulher trazia ao peito - chegou a ter um quilo cento e cinquenta gramas de ouro fino. E pulseiras, medalhões, pratas também. E, depois, aquela puta fugiu de casa, com as duas crianças e o ouro todo. Foi com outro, mais novo do que ela, deixou-me corno e sem tostão do que tinha juntado todos aqueles anos. Mas também lixou-se: assim que se apanhou com o outro, o tipo foi à vida, ou ela julgava que era amor?"
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