“Apaixonei-me por mulheres com quem não cheguei a trocar uma única palavra! Às vezes dançava com elas em clubes recreativos e pronto, estava apaixonado, louco de desejo, a ferver. Recordo-me dos nomes de algumas, de outras não, de certas não cheguei sequer a saber o nome. Apanhei doenças venéreas (felizmente curáveis), lembro de um dia em que fiquei com uma comichão que não imagina, mas era mesmo assim. Preservativos não usávamos... aprendíamos uns com os outros como solucionar os nossos problemas relativos aos órgãos genitais. Havia mezinhas que se sussurravam pelos corredores das residências universitárias. Quando os problemas persistiam, íamos ao médico e ele resolvia a questão. Era uma loucura total, percebe? Agora é diferente! É tudo diferente! É tudo fácil! Arranja-se uma namorada e vai-se com ela para a cama no dia seguinte ou no próprio. Antes as meninas de boas famílias só se revelavam depois do altar. Tínhamos de recorrer às prostitutas ou a meninas mais desbragadas, que tinham tantas doenças como as primeiras, porque também saciavam os desejos de vários seres carentes.”
O espelho da Lua – Joana Miranda