“É verdade, tenho tendência para ser curiosa, admito, mas não conheço mulher que não partilhe dessa minha tendência. Atrevo-me mesmo a afirmar que a discrição, numa mulher, é uma disfunção que deve ser tratada clinicamente.”
“Não, não sou desconfiada. Sou apenas curiosa e estou sempre ansiosa por viver novas experiências. Meter o nariz em tudo é divertido porque se pode descobrir qualquer coisa que talvez não venha a ser lá muito divertida.”
Coração à deriva – Ildikó Von Kürthy
Até me esqueço que tenho um blog, onde por vezes escrevo, sem pensar que isto também é lido por amigas curiosas... e pelos vistos não são só as mulheres portuguesas que são curiosas, as de Lagny também são. Sim Mlle Claro. Estou a falar de ti... Há é verdade... és portuguesa... lol... Um beijinho grande desta tua amiga.
Até me tinha esquecido que tinha dado conhecimento da existência deste blog a duas amigas, e hoje quando recebi uns SMS a perguntar quando seria o segundo café, fiquei surpresa, mas depois desatei a rir quando percebi que era resultado de um dos últimos post. Pois é, mesmo sem eu dar por isso, parece que isto serve para as manter actualizadas sobre os acontecimentos da minha vida. Eu sei que gostavam de novidades fresquinhas, mas por enquanto têm de se contentar com o facto de aos poucos começar a esquecer o AFL. E é verdade, cada vez os destroços vão sendo menores, cada vez penso menos nele, e o meu ódio e rancor também estão a desaparecer. Acho que começa a caminhar para a indiferença... pelo menos esse seria o meu desejo... de quando o voltar a ver, que pudesse passar por ele e que a sua presença me fosse completamente indiferente.
E há desejos que se realizam...

“Não há nada que seja mais difícil de suportar que uma série de dias infelizes.”
Coração à deriva – Ildikó Von Kürthy
Sou mesmo palerma... passei uma semana angustiada a pensar que ele viria passar a Páscoa à terra e que inevitavelmente teria de me cruzar com ele porque moro a apenas três quilómetros dos pais dele.
É o que se chama sofrer por antecedência... Nos últimos três dias, uma mera saída para ir beber um café à noite, tornava-se uma agonia. Num meio pequeno, as probabilidades de encontrar as pessoas que até não queríamos ver aumentam para 99%.
E para quê o sofrimento? Afinal, ele nem veio a Portugal visitar a família... até fiquei aliviada, porque receava a minha reacção quando estivesse frente a frente com ele. A distância tem-me ajudado muito a diminuir a dor, mas a presença dele trás quase sempre à tona mil e um sentimentos que eu julgava já terem naufragado... mas não... quando ele está por perto eu sei que corro o risco de eles poderem voltar a flutuar... sei que a relação terminou e que nada há a fazer... mas também sei que os destroços ficaram e que por muito tempo permanecerão lá no fundo até que alguém me consiga fazer esquecê-los.
Há muito que não estou com ninguém... sinto falta dos carinhos, mas continuo presa aos destroços dos quais não me consigo libertar.
Há uns anos atrás um ex colega de trabalho, fez-se ao pedaço. Na altura expliquei-lhe que seria completamente impossível existir o que quer que fosse entre nós porque tinha um namorado que amava e a quem seria sempre fiel. Como ele sabe que a minha relação terminou, nos últimos tempos tem ligado constantemente fazendo propostas para ir "beber um café". Se fosse só o café, tudo bem. O pior é que eu tenho consciência que isso é um mero pretexto para avançar... e tenho fugido disso. Invento mil e uma desculpa, ora estou fora, ora estou doente, ora fica para outro dia... a verdade é que o rapaz ainda nem sequer conseguiu beber o simples café... Eu sei... tenho plena consciência que ultimamente fujo de ter qualquer tipo de relação amorosa, como o diabo da cruz. A ferida continua aberta. Dizem que só se esquece uma pessoa quando se coloca outra nesse lugar; mas tenho imenso medo de me voltar a magoar a mim própria e temo que em vez de fechar a ferida que ainda sangra, abra uma ainda maior...
“Por vezes a paixão por um homem não traduz mais do que a necessidade imperiosa de se esquecer outro.”
Uma mulher não chora – Rita Ferro
“O meu passado aumenta. E o meu futuro diminui. Não tenho filhos, não tenho homem e sinto-me desesperadamente infeliz. Pensando bem, nos últimos anos, não cresci nem um centímetro. Só envelheci.”
Coração à deriva – Ildikó Von Kürthy
