Sábado, 5 de Maio de 2007

Filhotes

“Um desejo novo começa a brotar dentro de mim, um desejo que me surpreende e me assusta. O desejo de ter um filho. É um desejo tão forte que não sei o que fazer. Também não sei com quem posso fazer esse filho. Não conheço ninguém que gostasse que fosse pai de um filho meu. Todos os dias imagino esse filho, que também pode ser uma filha e é já uma obsessão.”
 
“Queria um pai perfeito, bonito, inteligente e sensível, fusão de qualidades que depressa concluí ser rara ou, simplesmente, inexistente.” 
Sem lágrimas nem risos - Joana Miranda
 

Clauclau às 23:15

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Sexta-feira, 4 de Maio de 2007

Relógio biológico

“Uma vez, no clube de vídeo, vi uma mulher grávida com o marido, ambos com aspecto de terem pouco mais de vinte anos, e achei que pareciam terrivelmente novos para estarem a começar uma família. Depois saíram três criancinhas disparadas da secção de filmes infantis e correram para a mulher aos gritos de «Mamã!».”
 
À procura do Homem ideal – Suzanne Schlosberg
 
  
 
 

 

 

Clauclau às 23:18

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Quinta-feira, 3 de Maio de 2007

Amo-te muito

Hoje a minha mãe comemorou mais uma primavera. Apesar de todos os atritos que temos no dia a dia, a verdade é que a amo mais do que tudo nesta vida.

Durante toda a minha vida, tenho-me apoiado em três pilares que para mim são fundamentais: a minha mãe, o meu pai e o meu manito . Sei que estão sempre lá para me apoiar e que posso contar sempre com eles. E eles sabem que podem contar sempre comigo.

E não, não vivemos num conto de fadas; temos discussões e divergências de opiniões como toda a gente, mas a verdade é que damos uma grande importância à família.

A minha mãe é uma grande mulher. Toda a vida trabalhou imenso na agricultura para que tivéssemos sempre um pouco de tudo em casa sem ter de ir comprar as coisas ao mercado. A verdade é que muitas vezes lhe digo para que deixe de semear certas coisas porque o preço delas não compensa todo o trabalho que tem. O pior é que não me consigo fazer compreender. Ela entende, como se eu a estivesse a recriminar por andar a estragar dinheiro nas terras quando o que eu pretendia era apenas que ela preservasse mais a sua saúde e o seu corpo e que trabalhasse menos. Mas não a consigo convencer. Admiro-a imenso. Acho que ela pensa que eu não lhe dou valor por não ter estudos, por nunca ter tido um trabalho remunerado. Mas muito pelo contrário, admiro-a ainda mais por tudo o que faz; trabalhou mais na vida que todas as outras mulheres que têm um trabalho fixo, pois trabalha no campo de sol a sol, todos os dias, sem feriados, sem dias de descanço, sem limites de horário, sem férias; admiro-a por tudo o que sabe sobre culturas (assunto de que não percebo mesmo nada, com muita pena minha). Apesar de todo o trabalho que tem, e de não ver lucros monetários do seu trabalho, todo esse esforço é compensado por ver crescer, dia após dia, as culturas que semeou, por colher as frutas e os legumes de que cuidou ao longo de várias semanas, por ver nascer os animais e os alimentar durante meses e anos.

Adoro-te mãe. Mais do que alguma vez te disse. Mais do que tu possas imaginar. Quando ficas triste, também fico triste, quando choras também choro, quando sofres também sofro, quando estás doente também fico doente.

Os nossos maiores atritos são sempre por me cobrar o genro que não lhe dei e os netos que não tem. Mas o futuro só a Deus pertence. Quem sabe um dia não terá um genro muito melhor que o AFL . Sei o quanto ela gostava dele e o quanto gostava que lhe tivéssemos dado os netos que tanto deseja. Mas a vida nem sempre segue as linhas que traçamos.

Mãe espero que possamos ficar os quatro juntos ainda por muitos e muitos anos.

Amo-te muito.

 

 

 

“se pelo menos ela soubesse como a amo! Com todas as suas fragilidades, defeitos e medos. Se ao menos soubesse como a admiro – a sua força, poder, esforço, empenho, determinação, motivação. Como sabe ultrapassar os seus próprios limites, superar-se, ir além do possível, e como sabe fazer bem aos outros, como se dá aos outros com generosidade, como sabe ser magnânima e soberana, terna e doce, quando quer....”
  
Contigo esta noite – Joana Miranda
Segunda-feira, 23 de Abril de 2007

Feliz aniversário

Duas pessoas que me são muito queridas comemoram hoje mais uma primavera e por isso aqui fica um beijinho muito especial para ambas.

 para ti Mylene , pelos teus vinte anos, um grande beijinho da madrinha que tem imensa pena de não poder estar aí em  Champigny , no próximo sábado, para comemorar o teu aniversário.

 para ti Cristina, pelos teus vinte sete anos, um grande beijinho desta tua amiga, que mesmo a centenas de quilómetros de distância não se esquece de ti.

Que sejam ambas muito felizes e que a vida vos traga tudo aquilo que mais desejarem.

 

 

Clauclau às 12:57

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Segunda-feira, 19 de Março de 2007

Nunca estar contente

“Estou farta de não ter uma pessoa ao meu lado. Faço tudo sozinha, sinto-me completamente avulso no mundo, qualquer dia tenho 40 anos e não construí porra nenhuma, nem família, nem filhos, nada. A minha vida é uma merda de um deserto, estou farta.”
 
Não há coincidências Margarida Rebelo Pinto
 
 
Nunca estamos contentes... essa é verdade. Estamos sempre as pensar naquilo que não temos em vez de pensar nas coisas boas que temos. A verdade é que a vida não foi como tinha planeado. Tinha pensado em acabar a universidade, arranjar um emprego na minha área de formação, casar aos vinte sete anos e aos trinta ter o meu primeiro filho. A verdade, é que nada disto se concretizou. O curso não me abriu as portas com que tinha sonhado, e nos últimos três anos desempenhei funções de secretária de direcção que nada tem a ver com a minha área, mas que sempre era melhor do que estar desempregada. Quanto à minha vida amorosa, também nada correu como previsto, e hoje sinto-me como há doze anos atrás, sem ninguém que seja dono do meu coração, sem filhos, sem responsabilidades, sem obrigações... muitas das "trintonas" casadas que conheço me invejam, por poder ir onde quero, a que horas quero, vir quando quiser, sair à noite se assim me apetecer, deitar-me a que horas me apetecer, ver televisão ou estar na net o tempo que bem quiser sem ninguém a mandar apagar a televisão, poder comprar o que quiser sem ter de pensar no outro ou nos filhos... é verdade... pode parecer que tenho tudo para ser feliz... mas não sou... falta qualquer coisa... falta sempre qualquer coisa... no fundo, o que eu queria, é o que elas têm: o lar, a família, alguém que me dissesse boa noite, que me desse um beijo ao amanhecer, os filhotes que ao fim de semana me saltassem para cima da cama ainda de madrugada e que me enchessem com beijinhos, para não falar dos beijinhos carinhosos dos filhotes após um dia de trabalho...
O que mais tenho pena na minha vida, é mesmo disso, de não ter tido uma filhota do meu grande amor quando tinha apenas dezoito anos... talvez a vida tivesse sido completamente diferente... pior ou melhor... não sei... nunca saberei... não poderei recuperar os anos que passaram... mas sentirei sempre esse vazio dentro de mim...
 
 
 
 
“O pensamento de que o relvado do vizinho é mais verde ou do que o outro tem aquilo que eu não consigo ter parece gerar muito sofrimento.”
 
“Sofrer porque as coisas não são como eu as tinha pensado não somente é inútil como também infantil.”
 
 
Amar de olhos abertos – Jorge Bucay e Silvia Salinas
 
 

 
 
Domingo, 4 de Março de 2007

Homem de familia

 

 

Sou uma amante incondicional da leitura de um bom romance. Sendo  Nicholas Sparks um dos meus escritores preferidos,  devoro cada página dos seus livros com entusiasmo.

Nas páginas do romance Uma promessa para toda a vida, o narrador refere relativamente à personagem Miles Ryan :

"Durante o tempo que esteve casado nunca teve a sensação de estar a perder coisa nenhuma. Não olhava para os seus amigos solteiros com inveja, não desejava a vida que eles levavam - namorar, andar no engate, começar e acabar namoros, com a mesma regularidade do início e do fim das estações do ano. Ele não era assim. Adorava a situação de marido, adorava ser pai, adorava a estabilidade da vida de família..."

Nos tempos que correm esta é uma realidade cada vez menos visível . Os laços de união na família são quebrados cada vez com mais facilidade. Poucos são já aqueles que lutam com afinco para preservar os laços de afecto que os unem. Ainda bem que pelo menos nos romances ainda é preservada essa imagem do amor sem fim, porque o mundo que nos rodeia mostra-nos diariamente o rosto da infelicidade, da traição, dos insultos e dos maus tratos, não só físicos , como verbais.

Neste romance, Miles descobre que não perdeu a capacidade de amar.

Também eu espero reencontrar dentro de mim essa capacidade de amar, que me devolva o brilho nos olhos e o sorriso nos lábios que desapareceu há cerca de um ano. Nunca perdoarei a pessoa que me roubou esse brilho do olhar... Por não ter lutado minimamente para preservar os laços que nos uniam, por todas as desconfianças, pelas mentiras, pelas promessas de amor, por ter destruído as minhas ilusões e os meus sonhos.

 

 

Acredito que já todos, algum dia, leram um dos romances ou viram filmes adaptados dos grandes romances de Nicholas Sparks . Para os que não conhecem o escritor, aqui ficam os títulos dos romances por mim lidos, e cuja leitura recomendo vivamente. Fica aqui um beijinho especial para a Clara que, no nosso tempo de estudantes universitárias, me emprestou o romance Um momento Inesquecível   para me dar a conhecer este grande escritor, que até então desconhecia. Adorei... Desde então li todos os romances abaixo indicados com a mesma "paixão" com que li o primeiro, sendo o meu preferido A Alquimia do amor.

 

Romances lidos deste escritor:

- Um momento inesquecível

- Palavras que nunca te direi

- A alquimia do amor

- O sorriso das estrelas

- Corações em silêncio

- Uma promessa para toda a vida

- Três semanas com o meu irmão

- O diário da nossa paixão

- Laços que perduram

- Quem ama acredita

- À primeira vista 

 

 

Sexta-feira, 2 de Março de 2007

Ler é viver e recordar

Livros... livros e mais livros. Estes têm sido uma constante na minha vida. Reconheço que faço parte de uma minoria, mas não me importo muito com isso. Passei a minha juventude a ouvir comentários dos meus vizinhos, que já com uma certa idade, diziam que andava sempre com os livros atrás e que ainda ia ficar maluca de tanto ler. As condições económicas não me permitiam comprar livros atrás de livros, porque infelizmente o preço fazia com que estes fossem considerados como um luxo. Embora compre um ou outro, a maior parte dos livros que leio são da Biblioteca Municipal, que quando a comecei a frequentar funcionava no r/ chão da Câmara Municipal e nenhuma semelhança tinha com a actual Biblioteca a não ser os livros. Todas as semanas passo por lá para entregar os três livros que tenho comigo e para trazer novos. Quase que posso dizer que muitos dos livros que vejo naquelas prateleiras já foram por mim lidos e folheados. Não quero com isto dizer que leia linha a linha, palavra a palavra. Como todo o leitor, concedo-me alguns direitos, tais como abandonar a leitura de um livro quando o mesmo nas primeiras vinte páginas não se revela interessante, o direito de saltar descrições, o direito de saltar páginas, o direito de ler quando quero, onde quero, e quando me apetece.

Todos os leitores têm os seus direitos, e Daniel Pennac enumera-os no seu livro Como um Romance:

 

 

1) O direito de não ler.
2) O direito de saltar páginas.
3) O direito de não acabar um livro.
4) O direito de reler.
5) O direito de ler não importa quê.
6) O direito de amar os "heróis" dos romances.
7) O direito de ler não importa onde.
8) O direito de saltar de livro em livro.
9) O direito de ler em voz alta.
10) O direito de não falar do que se leu.

 

 

 

Sempre gostei de ler. Ainda me recordo das minhas primeiras leituras. A minha casa era junto à casa da minha avó materna. Depois da morte do meu avô, para que não ficasse tão sozinha, passei a dormir em casa dela. Como ela não sabia ler, pedia que eu lesse para ela. Na altura andava na escola primária e os únicos livros que me tinham passado pelas mãos eram os manuais escolares, uma vez que em casa dos meus pais não existiam livros. Todos os dias lia alguns textos à minha avó, e sentia um orgulho imenso quando no outro dia ela contava à minha mãe e aos vizinhos as histórias que lhe tinha lido e quando, passado algum tempo, ela se recordava das histórias (textos) que já tinha lido... como é que ela se lembrava e dizia-me: "lê-me outra vez a da tartaruga. Gosto dessa.". Partiu quando eu tinha 15 anos, desde então deixei de ter ouvintes para as minhas leituras, e a partir daí passei a ler só com os olhos, só para mim, mas não perdi o gosto. É engraçado! Passaram quinze anos e ainda me consigo ver, em cima da cama, meio deitada, encostada à parede e à almofada, com o livro na mão, a ler para a minha avó, deitada ao meu lado.

O meu avô materno morreu muito mais cedo, tinha eu apenas 8 anos, e as recordações que guardo dele (nessa altura ainda eu não sabia ler) é que ele gostava de me contar histórias. Ainda me recordo de num final do dia em que estávamos sentados (debaixo da macieira que havia junto à casa, e que hoje já não existe, mas que ainda consigo ver nas minhas memórias) num banco feito com uma simples tábua de pinho, apoiada em dois tijolos,  ele me explicar porque é que a lua se assemelhava à cara de um Homem. A verdade é que nunca li qualquer história relacionada com a lua, mas ele costumava falar de um homem que trabalhava aos domingos e que cortava a erva com um foce e que nosso senhor como forma de o punir pelo trabalho aos domingos o tinha colocado no céu para que todos o pudesse ver, e que quando o vissem tivessem consciência do pecado que tinha cometido. E que esta seria a explicação para que quando se olhava para a lua, se conseguia ver nela a figura do pecador e a foce. Se assim era ou não, não sei, mas a verdade é que tudo isto são memórias que guardo no coração com uma grande ternura.  



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